terça-feira, 26 de novembro de 2013



Já não se encantarão os meus olhos nos teus olhos, 
já não se adoçará junto a ti a minha dor.

Mas para onde vá levarei o teu olhar 
e para onde caminhes levarás a minha dor.

Fui teu, foste minha. O que mais? Juntos fizemos 
uma curva na rota por onde o amor passou.

Fui teu, foste minha. Tu serás daquele que te ame, 
daquele que corte na tua chácara o que semeei eu.

Vou-me embora. Estou triste: mas sempre estou triste. 
Venho dos teus braços. Não sei para onde vou.

...Do teu coração me diz adeus uma criança. 
E eu lhe digo adeus.

Pablo Neruda


Quero apenas cinco coisas.. 
Primeiro é o amor sem fim 
A segunda é ver o outono 
A terceira é o grave inverno 
Em quarto lugar o verão 
A quinta coisa são teus olhos 
Não quero dormir sem teus olhos. 
Não quero ser... sem que me olhes. 
Abro mão da primavera para que continues me olhando.

Pablo Neruda

Pablo Neruda - Posso escrever os versos mais tristes esta noite.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Escrever, por exemplo: "A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros lá ao longe".
O vento da noite gira no céu e canta.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu amei-a e por vezes ela também me amou.
Em noites como esta tive-a em meus braços.
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.

Ela amou-me, por vezes eu também a amava.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que já a perdi.

Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.
Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la.
A noite está estrelada e ela não está comigo.

Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
A minha alma não se contenta com havê-la perdido.
Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a.
O meu coração procura-a, ela não está comigo.

A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores.
Nós dois, os de então, já não somos os mesmos.
Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei.
Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido.

De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos.
Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda.
É tão curto o amor, tão longo o esquecimento.

Porque em noites como esta tive-a em meus braços,
a minha alma não se contenta por havê-la perdido.
Embora seja a última dor que ela me causa,
e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Reescrevendo Pablo Neruda - O Poço



No Fundo de Si Mesmo

Caindo e afundando, assim estou, assim sobrevivo.
Pairando num profundo silencio orgulhoso,
 o qual me deixaste cego.
Cego a ponto de impedir-me de voltar.

Aquele velho amor aqui está, mas vestes uma capa escura,
deixando-o escondido.
Deixando-me ver a olhos cegos apenas as rachaduras,
rachaduras de uma rancorosa ferida que leva-me a temer-te cada dia mais.

Meu doce amor, eu sei que por aqui nada encontrarei,
mas um dia ainda espero conseguir reacender a luz de meu interior.
E sabes o que espero deste dia?
Espero-te olhando para mim.
Desejando por um beijo mais profundo do que é minha casa hoje.

Sei que preciso no entanto, jogar para longe de minha alma todas as palavras atiradas como pedras contra mim.
E sabes você, que ao jogar para longe essas duras pedra
elas lhe atingirão, ferindo-te sem que eu nada fale.
Afinal, somente em seu peito elas se dissiparão.

Sorrirei sabendo que ninguém és perfeito,
que por mais feliz que eu fosse ao seu lado
contos de fadas existem somente nos livros de infância.


Passaremos tanto pelos dias ensolarados como pelos chuvosos.
Mas passaremos juntos.
Poderei então viver sem ferir-te em mim.

No entanto, mesmo ambicioso e faminto por seu amor,
aqui estou, aqui em baixo.
E para daqui sair, preciso curar-me.

Para tanto, peço-te que não esqueças de mim,
não sou perfeito, e por isso necessito de ti para ser ao menos bom.

Aqui não encontrarei a ti,
mas sinto, mesmo daqui de tão longe,
que seu amor ainda pertence a mim.

domingo, 17 de novembro de 2013

Quando a saudade predomina e os olhos se enchem de lágrimas, é um bom momento para lembrar-te de que deves voltar a ser a pessoa esquecida. Aquela que a muito tempo está guardada dentro de si mesmo.